«E a certeza de que milhões de pessoas foram feitas
prisioneiras, assassinadas ou torturadas, e nações foram exterminadas, por
causa de uma ficção totalitária que acabou no dia em que Gorbatchov a entendeu
como tal e o muro começou a ser desmantelado pedra a pedra. O ano de 1989 foi o
ano do otimismo mundial, do triunfo da democracia e da liberdade […]». Clara Ferreira Alves, «Revista E – a Revista do
Expresso», 23/09/2017.
Democracia e Socialismo não têm nada em comum além de uma
palavra: igualdade; Mas a diferença é:
enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade
na restrição e servidão. Tocqueville.
Clara Ferreira Alves não é
própriamente uma opinon-maker que se possa considerar de direita ou afecta à
direita, antes pelo contrário, do que conheço dela, diria que navega em águas
próximas do PS, da esquerda, portanto. Não obstante, quando uma opinião como a
que exprime no parágrafo que citei, é emitida por alguém desta área,
obviamente, tem outro impacto…
Com efeito, C.F.A. põe o dedo na
ferida ao dizer que o comunismo e a ficção totalitária que lhe está associada,
provocou milhões de vítimas; prisioneiras, torturadas e assassinadas e que
houve nações que foram exterminadas. Eu acrescentaria só que ainda hoje provoca
vítimas com fartura, basta só pensar na ficção de Cuba e no pesadelo da Coreia
do Norte…
Uma das coisas que me mete imensa
impressão é pensar que houve um tempo em que nada se sabia sobre o comunismo e
o que se passava para lá da cortina de ferro, mas a partir de um dado momento,
a dissidência começou junto de proeminentes intelectuais franceses que tinham
sido comunistas: André Gide e André Malraux são bons exemplos. Depois houve o
esmagamento da revolta de Budapeste em 1956, Praga em 1968, Polónia e R.D.A. em
momentos diferenciados até ao colapso do muro em 1989 e a implosão da U.R.S.S.
em 1991.
Foi então que tudo se soube sem
nenhuma restrição, a máscara caiu e embora o comunismo em teoria fosse perfeito
e irrepreensível, na prática gerava sempre ditaduras ferozes e regimes
eminentemente totalitários com o seu rol e galeria de horrores; polícia
política feroz, supressão total de liberdades cívicas, falta crónica de bens de
consumo, supressão completa do Estado de Direito, uma clique que se eternizava
no poder, absoluta e total falta de democracia, só para citar as principais.
Continuo sem perceber como é que
há imensos portugueses que depois de tudo o que se passou e de toda a denúncia
exaustiva e sistemática sobre a matéria, de toda a documentação e informação
que existe abundantemente – que está à disposição de quem se interessa por
estas coisas – continuem a acreditar teimosa, obstinada e piamente na utopia
contra toda a evidência, contra toda a realidade.
Este fenómeno devia ser melhor
estudado e, sobretudo, denunciado por ser perigoso, comportar inúmeros riscos
para a democracia e a sociedade, estar vivo e activo – em Portugal mais forte do que nunca com a
Geringonça, gentileza do António Costa – de muito boa saúde e com dois lídimos representantes apesar de patentearem diferenças mínimas: PCP e BE…
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