«A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria
incompetente». Bernard Shaw.
«Este ano Portugal teve um dos piores anos de incêndios
florestais. Pior do que os hectares ardidos foram as vidas perdidas – 65 ou 66.
Pelo meio falhas
atrás de falhas, desorganização, incompetência reconhecida. Pelos bombeiros, pelos líderes locais da proteção civil… pelo próprio
Presidente da República, até pelo Governo». Henrique Monteiro, Jornal
«Expresso Curto», 15/09/2017.
Henrique Monteiro está
equivocado, o Governo nunca reconheceu falha alguma – essencialmente pediu
relatórios e acobertou-se atrás deles para, justamente, não reconhecer as suas
culpas até os relatórios estarem prontos e ainda não estão! – recordo-me até
que se alguém falasse no caos absoluto, total, insuperável no terreno e na
cadeia de comando que se verificava naquela altura, era imediatamente acusado
de aproveitamento político. A este propósito, leiam a crónica e o testemunho
pungente de uma Mãe, Nadia Piazza: «O
meu filho foi apanhado por uma onda de incompetência», que perdeu o seu
filho na maldita EN-236, no fogo de Pedrógão, no Expresso de 9/09/2017.
No próximo dia 17, ou
seja, amanhã, faz 3 meses sobre a tragédia de Pedrógão e não há ainda nenhum
relatório oficial e final que reconheça a incompetência na gestão destes fogos e
que retire as inerentes conclusões e as óbvias e incontornáveis
responsabilidades políticas que se traduzirão em demissões, à cabeça a da Ministra
da Administração Interna, a do responsável pela Protecção Civil, que entretanto
saiu, e não foi por ser um «boy» descarado que se rodeou de inúmeros «boys» sem
experiência, meses antes da estação dos fogos, tão pouco por inacção e responsabilidade
e incompetência na gestão dos fogos, mas, parece, por mais uma licenciatura de
aviário, a lista não pára de aumentar: Sócrates, Vara, Relvas, Rui Roque
(adjunto de Costa) e agora, Esteves. O que nos dá a verdadeira dimensão da qualidade
da nossa classe política e a esmagadora maioria com proveniência no mesmo
partido…
Este adiar despudorado dos
relatórios e das conclusões (e o mesmo se passa com Tancos, outro escândalo, incompetência
total político-militar onde também não há nem relatório final, nem responsáveis…)
para depois das eleições autárquicas, é que é do mais miserável e rasteiro
aproveitamento político que me foi dado observar, goste-se ou não, com o alto
patrocínio de sua Excelência, o Senhor Presidente da República que assiste a
este despudor, tranquilo, sereno… limita-se a exigir que se apurem
responsabilidades, responsabilidades sim, claro, mas atiradas para as calendas,
para depois das eleições, que é exactamente o que o Governo deseja para ver se
não se queima em demasia, agora que os fogos estão a acabar…
O que se pode esperar de
um Governo não escolhido pelos portugueses, fruto dum arranjinho nas nossas
costas e ao qual não se sabe se daríamos o nosso aval ou não? E de um P.R. que
foi eleito essencialmente por um eleitorado do centro e da direita – área de
onde provinha – bem moderados mas que anda com um Governo ao colo, da ala
esquerda do PS e apoiado pela extrema esquerda, e que permite estas poucas
vergonhas? A democracia não é isto, é responsabilidade, transparência, lisura e
respeito pela vontade dos eleitorados, não consigo vislumbrá-la em Portugal
neste momento…
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