AUTO-EUROPA, UMA GREVE DA RESPONSABLIDADE DO PCP E DOS
POPULISTAS?
«[…] o gigante automóvel [VW] já admitiu, publicamente,
deslocalizar parte da produção para outras fábricas do grupo na Alemanha.
"Não acreditamos que a Volkswagen faça isso. É uma chantagem",
respondeu o SITE Sul, na semana passada». Jornal «DN», 29/08/2017.
O Sindicato não acredita
porquê? Pode explicar? É que a VW além de ser muito poderosa tem fábricas em
diversos países na Europa e é perfeitamente crível que o faça e, fácilmente, se
quiser – logo, a afirmação do dirigente sindical é que é um palpite e soa a
chantagem sobre os trabalhadores para os tentar convencer de que nada de grave
pode vir a acontecer se persistirem numa greve com contornos um pouco nebulosos
e encabeçada por um sindicato que pode vir a ser o coveiro da Auto-Europa…
Ouvi ontem na 3, sobre
este mesmo assunto, Arménio Carlos, e o que disse reforçou a minha convicção de
que se trata de um verdadeiro lobo com pele de cordeiro, ou desde quando um
comunista estalinista, puro e duro, pode estar de acordo com uma empresa
capitalista cheia de sucesso – sucesso extensível aos trabalhadores nas boas
condições que lhes faculta – que com as suas políticas nega na prática, tudo o
que ele preconiza, ou seja, o trabalho contra o capital, a luta de classes como
objectivo sempre presente para justificar a ideologia? Acresce que a greve é
decretada quando não há Comissão de Trabalhadores que se demitiu por, parece,
os trabalhadores terem infirmado o acordo que ela tinha conseguido com a
Administração e que previa, justamente, o trabalho ao Sábado…
E isto tudo porque os
trabalhadores não querem trabalhar ao Sábado – o compromisso era por dois anos,
repito, dois anos e previa 16% de aumento salarial, um bónus de 175 euros, a
redução do horário para 38,2 horas/semana e mais um dia de férias! – claro, não
são alemães, para quem não havia nem Sábados, nem Domingos, nem feriados, nem
férias, nem bónus e descanso nulo quando
tiveram que trabalhar 15 ou 16 horas por dia durante muitos anos – após a 2ª
guerra mundial – para reerguer o país dos escombros e ao ponto de fazer
fábricas da VW em países como Portugal onde, para grande surpresa sua, chegaram
à conclusão que trabalhar ao Sábado, NÃO… e isto apesar de a Comissão de
Trabalhadores ter assinado em 2015 um compromisso de laboração continua que,
salvo melhor opinião, há-de querer dizer trabalhar também ao Sábado, caso
contrário, não seria contínua…
Significativo é o facto
de António Chora, vem hoje no «Público», o histórico e antigo Coordenador da
Comissão de Trabalhadores, dizer que «vê
nesta greve uma tentativa do PCP pressionar o Governo para algumas cedências
noutros lados»; diz ainda que o Sindicato, SITE Sul, «montou-se em cima de quatro ou cinco populistas […] Estou espantado.
Nunca pensei ver tanta verborreia […] mas o populismo é assim», ele deve
saber do que fala...
É muito possível que
deixem de trabalhar não ao Sábado mas ao Sábado e mais 6 dias por semana se
forem para o desemprego, e depois estamos a falar de uma fábrica com mais de
4.000 trabalhadores em que a Administração se propõe contratar mais 2.000;
acham crível que 6.000 empregados tenham que trabalhar todos, todos os sábados?
Quando trabalhei em aviação comercial, o ACT para quem trabalhava no aeroporto,
garantia um fim de semana com um Domingo de 7 em 7 semanas, leram bem, 7
semanas para fruir um Domingo!
P.S. segundo diz ainda o
«DN»: «A fábrica portuguesa do grupo
Volkswagen prevê montar um total de 240 mil carros em 2018, mais do dobro dos
números de 2016 (85 125 veículos)». Coisa pouca e sem importância quer
para o país, quer para a indústria nacional, quer ainda para as exportações...
Ah... já me esquecia, dizem os
jornais que os fornecedores da Auto-Europa (a propósito, ficamos a devê-la a um
Governo de Cavaco Silva, ele mesmo...) estão contra a greve e só hoje, há 400
carros que deixam de sair da linha de montagem e 5 milhões de Euros que vão à
vida...
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