Avançar para o conteúdo principal



«António Costa é um erro de ‘casting’ como estadista e Primeiro-Ministro e mais um acto falhado das escolhas dos socialistas e dos portugueses». Henrique Neto, socialista, Jornal «Expresso», 22/07/2017.
Quem afirma isto não é nenhum membro de um partido de extrema-direita, que não existe em Portugal – também não sei por que motivo pode existir a extrema-esquerda abundantemente e a extrema direita não tem esse direito? É que ambos odeiam a democracia… – mas um socialista que começou a sua militância e carreira políticas no PCP, e que vai agora demitir-se do PS.
Que Costa é um bluff monumental, já sabíamos e creio que esse facto começa agora a ficar visível e claro para toda a gente – sobretudo após Pedrógão e Tancos – agora que Neto reconheça que a sua escolha foi mais um acto falhado dos socialista e dos portugueses, é que é novo, inédito, arguto e inteligente!
E explica-se fácil e cronológicamente olhando para o contributo socialista: Soares foi um dos piores Primeiros-Ministros que este país já teve; foi tão mau que nem vou perder tempo a explicá-lo, toda a gente que o viu nessa qualidade, o sabe. Seguiu-se Guterres, homem sério mas incompetente e que deixou o país no pântano. O próximo foi Sócrates, este até pode vir a provar a sua inocência em tribunal se vier a ser acusado formalmente mas o facto de ter admitido ao juiz que quando era Primeiro-Ministro o amigo lhe emprestou umas centenas de milhar de Euros, não conseguindo precisar quanto (e o amigo ter também afirmado que ignorava o montante que lhe tinha emprestado…), e tivesse também reconhecido ao mesmo magistrado que tinha combinado com o amigo a compra de 30.000 mil livros da sua obra: «A consciência no Mundo: sobre a tortura em democracia», para que este fosse um sucesso literário a aparecesse nos tops de vendas, atesta bem das suas insuperáveis qualidades éticas e da sua integridade moral. Enquanto político mas sobretudo, enquanto homem, estamos conversados! Não obstante foi escolhido por duas vezes, primeiro, pelos socialistas em conclave, depois, pelos portugueses em eleições gerais, verdadeiros actos falhados que todos estão em condições de perceber e confirmar hoje sem necessidade de sentenças de tribunal...
E assim chegamos a Costa. Ora Costa foi escolhido pelos socialistas, é verdade, mas não o foi pelos portugueses, para ter uma maioria teve que se aliar «ao diabo» renegando décadas de  princípios e de antagonismo político do PS contra o PCP desde o 25 de Abril, e contra o BE desde que este existe.
Que seja um socialista de há longo tempo a reconhecê-lo é que é novo, único e muito salutar. Que esta abjuração de princípios e de política é um erro de ‘casting»’, salta à vista e tem como corolário só poder acabar mal, é também unicamente uma questão de tempo e de circunstância.
É óbvio que Neto tem toda a razão…

Comentários

Mensagens populares deste blogue

  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXIX                                                                                       14/04/2025                                                                           HOLODOMOR E RUSSIFICAÇÃO: DOIS EVENTOS QUE EXPLICAM EM GRANDE PARTE A UCRÂNIA ACTUAL… “A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos”, Cícero. E é incontornável para se perceber melhor o presente e o passado recente… Um breve resumo do que foi o H...
  MISCELÂNEA DE IDEIAS – XXX                                                                                         15/05/2025                 “A escolha do Instituto Técnico de Alimentação Humana (ITAU), um dos clientes da antiga empresa de Luís Montenegro, para fornecer refeições à Santa Casa da Misericórdia foi decidida pela anterior provedoria liderada por Ana Jorge, indicada pelo Governo de Costa ”, “ECO”, 11/05/2025                                                  ...
  REFLEXÕES SOBRE A ACTUALIDADE – CCCLXXIX                                               29.09.2025                                                 “BYE-BYE”, GOVERNO SOMBRA DE ANDRÉ VENTURA… “O fracasso não tem amigos”, John Kennedy. Não faz parte da tradição política portuguesa a existência de Governos-sombra, mas é pena porque a sua existência é salutar e benéfica para a democracia. A cada momento, um dado Governo é sujeito a crítica e escrutínio nas diferentes áreas da Governação e, para além disso, à solução alternativa que o titular da pasta em questão faria na circunstância. Por estas razões, só se poderia louvar a criação e a instituição pelo Chega dessa iniciativa. Numa análise, para já muito sumária...