POR QUE MOTVO TEMOS UM PRIMEIRO-MINISTRO MAU DE MAIS E UMA OPOSIÇÃO
FRAQUÍSSIMA? 20 PERGUNTAS + UMA QUE PODERIAM TER SIDO FEITAS E NÃO FORAM?
Assisti transversalmente e com
enfado, a um debate paupérrimo na Assembleia da República em que o tema
incontornável foram os fogos em Pedrógão Grande. A única intervenção que
incomodou ligeiramente António Costa foi a de Assunção Cristas; Passos estava
muito fragilizado pela sua infeliz intervenção a respeito de suicídios há pouco
tempo, foi pena…
Como seria de esperar, a esquerda
defendeu com cumplicidade passiva a Geringonça, imaginem só que esta tragédia
tinha ocorrido com um Governo de direita, um clamor a pedir a demissão do Governo
ouvir-se-ia em uníssono do Minho ao Algarve, não seria difícil imaginar também
todos os deputados das suas hostes na Assembleia da República vestidos com
T-Shits pretas com a palavra DEMISSÃO estampada a branco ou então, impresso nos
mesmos, «Governo assassino»! Esses deputados de esquerda capazes de tais
atitudes, faltaram hoje todos ao plenário na A.R.…
Mas vamos por partes, António
Costa, um político medíocre que não perde uma oportunidade de o demonstrar,
estava encurralado e a oposição poupou-o, não o fustigou como era necessário e
útil ao país, Costa limitou-se a defender uma posição – muitíssimo frágil, a
roçar a debilidade – de princípio, que consistia em aguardar respostas na forma
de diferentes relatórios para poder responder cabalmente a tudo e a todos sem
precipitações, frisou repetidas vezes…
O papel da oposição, a meu ver,
que não sou político, deveria ter incidido em perguntas simples que mostrariam
toda a incompetência e ineficácia do Governo na gestão caótica da crise e na fragilidade
da sua posição, um mero subterfúgio para ganhar tempo, eis alguns exemplos:
1.
O senhor Primeiro-Ministro precisa de relatórios
para admitir desde já que o Estado português falhou calamitosamente na sua
principal obrigação, a defesa dos cidadãos portugueses e dos seus bens?
2.
O senhor P.M. precisa de relatórios – com 64
mortos no terreno e centenas de feridos, com dezenas de casas e de fábricas
destruídas e centenas de desempregados por esse facto – para admitir desde já,
que os meios de que o Estado dispões e que o senhor comanda, coordena e é
responsável número um, falharam rotundamente, fosse porque houve trovoada seca,
fosse porque houve fogo criminoso, o que para os mortos é completamente
irrelevante?
3.
Como é que o senhor Primeiro-Ministro explica
ter assinado o contrato de adjudicação de compra do SIRESP, quando a PGR lhe
deu margem para o anular e lançar um novo concurso com novas regras para um
novo sistema que fosse mais barato e eficaz?
4.
Por que motivo o SIRESP custou 5 vezes mais do
que aquilo que devia ter custado para agora e mais uma vez, mostrar uma
inoperacionalidade confrangedora? Do que está à espera para acabar com esta PPP
vergonhosa?
5.
Por que motivo a Ministra da Administração
Interna mudou 17 chefias da estrutura da ANPC – Associação Nacional de
Protecção Civil em Abril sem medo que a sua inexperiência desse mau resultado,
como deu?
6.
Por que motivo os relatórios de que o senhor P.M.
diz que está à espera, de instituições sob o seu comando, já estão a saltar cá
para fora com versões contraditórias? Como diz Assunção Cristas e muito bem,
não há ninguém que ponha ordem na casa? O senhor, por exemplo?
7.
Por que motivo o senhor P.M. não sabe – coisa
que toda a gente sabe sem relatório algum – que o SIRESP afirma no seu
relatório que funcionou sem falhas e a Protecção Civil diz que as falhas foram
gravíssimas e apoia-se no testemunho das suas caixas negras onde estão
registadas todas as comunicações e respectivas falhas ao minuto?
8.
Por que motivo houve falhas do SIRESP nos fogos
do ano passado e o seu Governo e a sua Ministra da Administração Interna, não
os corrigiu?
9.
Por que motivo carrinhas do SIRESP compradas por
400 mil Euros não têm antenas para funcionar? Será pelos cortes que o seu
Ministro das Finanças impôs em toda a administração pública para cumprir o
défice ou porque pura e simplesmente a austeridade que o senhor diz que acabou,
de facto, continua?
10.
Por que motivo duas
antenas móveis de apoio não estavam operacionais; a da GNR estava “inoperacional” e a da PSP
estava “em reparação. Esta falha não tem a ver com as cativações à
‘outrance’ do seu Governo para cumprir o défice? O Senhor está à espera de um
relatório do seu Ministro das Finanças?
11.
Por que motivo, a Protecção Civil desmantelou a
coordenação operacional entre distritos? O senhor precisa de relatório, não
bastará perguntar à sua Ministra da Administração Interna?
12.
O senhor P.M. pode explicar desde já, a
perplexidade da sua MAI pelo facto de a GNR não ter fechado a fatídica EN 236-1
em que morreram 47 pessoas incineradas, ou vai esperar que ela lhe faça um
relatório? É que nós, a exemplo da sua Ministra, estamos perplexos e não
precisamos de relatório, bastou-nos a afirmação da sua Ministra, o senhor também
está perplexo?
13.
Por que motivo só havia 2 GNR no local, trata-se
de um problema de cativações que impede os efectivos em cada posto da GNR de
terem os elementos necessários e suficientes para lidar com estas situações?
14.
Por que motivo os bombeiros dizem à boca cheia
nas televisões que o SIRESP não funciona e falha sempre que há crise, leia-se,
fogos? O Senhor vai esperar pelo relatório para o confirmar ou os bombeiros no
terreno já lho disseram?
15.
Por que motivo o senhor P.M. falha rotundamente
quando não consegue que a sua MAI coordene atempada, eficaz e profissionalmente
todas as forças que têm que ir para o terreno quando há fogos, e esta é a época
dos fogos?
16.
Por que motivo o seu Governo demorou a
implementar e não implementou as medidas de reforma da floresta e de prevenção
de incêndios aprovadas pelo seu Governo há meses?
17.
Por que motivo a sua MAI impediu num primeiro momento,
a entrada dos bombeiros espanhóis na Galiza, depois de ter accionado o
mecanismo europeu de ajuda, vai-lhe perguntar ou também precisa de um relatório
para o perceber?
18.
Por que motivo a Protecção Civil que lhe está
adstrita hierarquicamente, afirmou durante mais de duas hora que um avião
espanhol de combate aos incêndios se tinha despenhado? Vai esperar pelo
relatório ou pode desde já comentar esta situação ridícula e absurda?
19. Por
que motivo, o senhor P.M., que foi sempre tão lesto a criticar os governos de
direita sempre que estava na oposição e havia fogos, agora não consegue dizer
nada que não seja: «prefiro esperar pelos diferentes relatórios antes
de me pronunciar»?
20.
O senhor P.M. está à espera que o Minstério
Público formule uma acusação de homicídio por
negligência? E nesse caso, senhor P.M., ninguém se demite? E se o
Ministério Público o fizer, não acha, dada a dimensão da tragédia e a sua
responsabilidade última e directa enquanto responsável máximo por todas as
Instituições envolvidas nesta tragédia sem precedentes – que, por uma questão
de dignidade, se devia demitir?
MAIS UMA: QUANDO VAI PEDIR DESCULPA AOS PORTUGUESES?
Eu espero que o senhor
Primeiro-Ministro, que considero o principal responsável por esta tragédia, não
faça a sacanice – que outro nome lhe hei-de chamar? – de quando toda a miséria
da sua incompetência vier ao de cima, não demita a pobre Constança Urbano de
Sousa como bode expiatório desta catástrofe, por um motivo muito simples, ele
nunca a devia ter nomeado…
Excelente resumo Rui.
ResponderEliminarUm abraço Augusto Moucho