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ÓBVIAMENTE, DEMITAM-SE!
Sobre Constança Urbano de Sousa:
·        Por ser Ministra da Administração Interna e por a A.N.P.C. - Autoridade Nacional da Protecção Civil, os Sapadores Bombeiros e a GNR – principais Instituições do Estado envolvidas nesta tragédia – estarem sob a sua tutela ou co-tutela e terem tido um comportamento caótico, contraditório, ineficaz, amador e altamente lesivo da defesa dos bens e vida das populações, finalidade última do Estado – é por tudo isto a responsável número dois desta tragédia. É também a responsável ou co-responsável do rol de factos que se seguem:
·        Por a Protecção Civil ter instruído a GNR no sentido de mandar e direcionar cidadãos inocentes para a fatídica EN 236-1, onde 46 pessoas vieram a ser incineradas. («A Ministra da Administração Interna já se mostrou ‘perplexa’ com o facto de a GNR não ter decidido logo fechar esta via […]», jornal «Público», 23/06/2017).
 
·         Por terem morrido mais 17 cidadãos, noutras circunstâncias, que os bombeiros não conseguiram salvar.

·        Por, depois de Portugal ter accionado o mecanismo europeu de protecção civil, ter impedido grotesca e anedóticamente, a entrada de bombeiros espanhóis especializados no combate a incêndios, na fronteira da Galiza que se prontificaram a ajudar-nos.

·        Por ter havido há menos de um ano, a 23 de Agosto de 2016, num incêndio no Sardoal, entre outras que se têm sucedido, uma falha do SIRESP e por, nem mesmo assim, a Ministra ter tomado providências que evitassem de novo uma ruptura nas comunicações.

·        Por o SIRESP, que gere todas as comunicações entre todas estas instituições ter colapsado e ter estado inoperativo cerca de 14 horas e meia em plena crise.

·        Por esta ruptura explicar e justificar, por falta de comunicações das forças no terreno, as dezenas de mortos na EN 236-1 e por haver vários testemunhos nas televisões de automobilistas indignados e revoltados a confirmar essas instruções da GNR.

·        Por um bombeiro gravemente ferido, depois de ter ido duas vezes ao posto médico, ter tido que esperar 10 horas até ser internado num Hospital do grande Porto.

·       Pelas contradições entre o que afirmou o seu Secretário de Estado sobre a abertura ou fecho ao tráfego da EN 236-1, e o Primeiro-Ministro, numa prova cabal de dessintonia e de desinformação ao nível da cúpula do poder no terreno que explica, em parte, o que se passou. A frase do Secretário de Estado; «Estamos perdidos, não vamos conseguir», Jornal «Expresso, 24/06/2017, dá bem conta do caos absoluto da situação.

·        Por nas aldeias entretanto evacuadas ter havido roubos nos bens e nas propriedades dos desalojados que o MAI deveria acautelar.

·        Por as carrinhas compradas por 400 mil euros para apoiarem o SIRESP não terem antenas para funcionar; por a Protecção CIVIL entre os distritos ter sido desmantelada; por a carrinha de transporte de cadáveres, novinha em folha, mas em que a refrigeração não funcionava. (Expresso, 24/06/2017).

·        Pelo balanço possível neste momento e catastrófico na área que tutela; 64 mortos; 254 feridos; um número indeterminado de desaparecidos; 63 casas destruídas, 25 unidades industriais fechadas que deixam 273 pessoas no desemprego; e 50.000 hectares de terra queimada. Uma calamidade brutal e sem precedentes!

Sobre António Costa:

·        Por ser Primeiro-Ministro e por nessa qualidade ser o responsável máximo por todas as Instituições envolvidas nesta tragédia: MAI, ANPC; GNR; IPMA, I. P., (que prossegue atribuições do Ministério do Mar, sob superintendência e tutela do respetivo ministro), os Sapadores Bombeiros, e por hierarquicamente a Ministra da Administração Interna depender da sua chefia e ter sido escolhida por ele por ser da sua inteira confiança política e pessoal. Costa é ainda o responsável número um desta tragédia pelas razões seguintes:

·        Por ter sido o responsável durante o tempo em que foi Ministro de Estado e da Administração Interna, entre 12 de março de 2005 e 17 de maio de 2007, pelo processo de modernização da Administração Pública, (Decreto-Lei n.º 203/2006), no que concerne aos serviços centrais de natureza operacional do Ministério da Administração Interna, à reestruturação do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, que passou a designar-se Autoridade Nacional de Proteção Civil, reestruturação posta agora à prova cabalmente com os resultados conhecidos.

·        Por ter sido ele o responsável que adjudicou o contrato de compra do SIRESP, depois de ter conseguido que a Procuradoria Geral da República o considerasse nulo, renegociou-o e baixou ligeiramente o preço, mesmo assim, comprou-o por cinco vezes o seu valor. Por este SIRESP, como os acontecimentos de Pedrógão Grande demonstraram à evidência, colapsar sistemáticamente no terreno sempre qua a sua actuação e eficácia são postos à prova.

·        Por ter sido ele o responsável, de novo enquanto MAI, por outro negócio escandaloso, a compra dos helicópteros Kamov:, «os seis Kamov foram comprados pelo governo de José Sócrates – era António Costa ministro da Administração Interna», Jornal «i», 22/11/2015, em que, na melhor das hipóteses, dos 6 comprados haverá 3 operacionais a um custo escabroso de 25.000€ a hora de vôo.

·        Por ser co-responsável pelo facto de como o SIRESP esteve inoperacional, o que provocou falta de comunicações e lapso de coordenação; a GNR mandou os automobilistas para a fatídica EN 246-1, onde 46 deles vieram a morrer incinerados, esta é sem dúvida a falta mais gravosa e para a qual não há nenhuma espécie de atenuante, um Primeiro-Ministro tem a obrigação última de zelar pela defesa e pela vida dos seus co-cidadãos, circunstância em que falhou escandalosa, rotunda e inapelavelmente.

·        Por todas estas razões e por todas estas falhas, por toda esta tragédia inocultável –  apesar de imensas tentativas no sentido de a minimizar e ocultar – a responsabilidade última do Primeiro-Ministro resulta clara e não tem outra solução digna que não seja demitir-se, já!

Ainda é preciso invocar mais razões para o homem se demitir?

Em qualquer país que não tivesse um Primeiro-Ministro de Opereta, este, decidida, resoluta e voluntáriamente demitia-se de imediato para preservar um pouco da sua dignidade pessoal, e resguardar – se é que isso é possível – da única forma possível e com um mínimo de hombridade, a sua responsabilidade política e, sobretudo, a das Instituições que dirigia sob a sua responsabilidade hierárquica e como ele envolvidas na tragédia.

Costa não se demitirá, sabemos pelo seu curriculum na matéria que não o fará nunca, mas depois desta tragédia, Costa não passa de um P.M. queimado, ou antes, é um P.M. incinerado e igualmente cremado como os desgraçados da EN 236-1…

Veremos o que os afectos poderão ainda fazer por ele… mas, políticamente, não passa de um fantasma, de um P.M. morto-vivo…

Jorge Coelho quando a ponte de Entre-os-Rios caiu, afirmou: «não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse».

É isso mesmo, é também uma questão de consciência…

 

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