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«O governo suspirou de alívio, pelo menos para já. Depois da tragédia dos fogos, a popularidade de António Costa não foi beliscada. Pelo menos é esse o resultado das primeiras análises dos “focus group” encomendadas pelo governo na sequência dos incêndios.». Jornal «i», 29/06/2017.
Confesso que tive que ler duas vezes! É preciso coragem, lata, topete, impudência! Então depois duma tragédia destas, com 64 mortos no terreno, centenas de feridos e um rol de desgraças infindável, quando ainda estamos e estaremos a lamber as feridas, o Governo está preocupado e gasta o dinheiro dos portugueses a encomendar análises a «focus group» para saber se a popularidade de António Costa foi afectada? Isto comprova – se dúvidas houvesse – além de muito má consciência, três coisas muito singelas mas chocantes:
1.      Temos um Primeiro-Ministro que num momento de desastre de dimensão nacional,  egoisticamente quer é saber da sua popularidade, quer é aferir da preservação da sua imagem com o intuito único de saber se pode manter-se no poder! Deplorável e revoltante! Com este comportamento, ficamos a saber que temos um Primeiro-Ministro hipócrita, calculista e com um comportamento, não é frio, é emocionalmente glaciar. Eis – em todo o seu esplendor – denunciado o seu verdadeiro carácter…
2.      O bom povo português julga que António Costa – o homem que detém a responsabilidade máxima, última, hierárquica, oficial, pessoal e funcional sobre todos os organismos e instituições do Estado que lidaram muito mal com esta tragédia e que comprou o equipamento de comunicações SIRESP que falhou escandalosamente durante os fogos – não tem nada a ver com a mesma, infere-se?! Não teve culpa nenhuma, deduz-se?! É mesmo o menino de coro da tragédia, conclui-se?!
 
3.      O que é que se há-de chamar e como classificar um povo com este discernimento, que apresenta estas supinas ‘qualidades’ e estas características surreais?
É isso mesmo, acertaram! Também não era difícil… até o Pateta adivinhava…
Não quero ofender aquela parte dos portugueses que acham que a imagem de Costa saiu incinerada por falhas, omissões, má gestão, má organização, más decisões, mau desempenho, má chefia, mau perfil, pouco respeito para com as vítimas (como o parágrafo supra-citado, comprova cabalmente) desrespeito pelos co-cidadãos e cobardia pessoal e política. É que um Primeiro-Ministro decente, digno, corajoso, moralmente íntegro e que pusesse o interesse nacional à frente de tudo e de todos e sobretudo, dele próprio, não só teria apresentado um pedido de desculpa aos portugueses imediatamente, como ter-se-ia demitido há muito!

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