«ESTADO GASTOU 485 MILHÕES EM NEGÓCIO QUE VALIA UM QUINTO».
«O ministro António Costa veio depois decretar a nulidade da
adjudicação [do SIRESP] com base num parecer da Procuradoria-Geral da
República, mas decidiu voltar a renegociar o contrato com o mesmo consórcio
liderado pela SLN […] Costa acabaria por adjudicá-lo por 485,5 milhões de
euros». Mariana Oliveira, parangona e texto retirados do Jornal
«Público», 02/06/2008.
Ninguém melhor do que o
ex-Ministro da Administração Interna e actual Primeiro-Ministro poderá explicar-nos
mais este escândalo de âmbito nacional! Exactamente, estamos a falar de sistema
de comunicações: Sistema Integrado das
Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) que permitirá aos elementos
das várias forças de segurança, dos serviços de informação, da emergência
médica e da protecção civil comunicarem entre si.
Ora, não é difícil retirar
pelo menos duas conclusões após a catástrofe dos fogos em Pedrógão Grande: primeira;
este sistema custou-nos os olhos da cara – o Público já no longínquo ano de
2008, nos dizia que pagámos 5 vezes o seu real valor – mas como sempre neste
país, ninguém vai conseguir explicar nada de nada, e ninguém vai preso; segunda;
este sistema falhou rotundamente quando a fatídica estrada nacional 236-1, não
foi encerrada ao trânsito, antes pelo contrário, foi indicada, segundo relato
de automobilistas, pela GNR (após instruções recebidas do Comandante das
operações de socorro da Protecção Civil) como alternativa ao IC-8, entretanto encerrado
ao tráfego devido ao fogo…
Provavelmente ainda
haverá mais falhas a apontar-lhe, mas desde já também não ficaria mal ao senhor
Primeiro-Ministro – uma vez que nunca se demitirá, já percebemos isso quando
perdeu as eleições e mesmo assim, não se demitiu… – ao menos, informar-nos com
estes anos todos de atraso, sobre o motivo pela qual adjudicou um sistema por 5
vezes o seu valor, para o mesmo, numa situação de crise grande e real, falhar
rotundamente e, aparentemente, ser responsável por dezenas de vítimas. É
possível, é normal que isto aconteça em 2017, podermos ser incinerados por razões
deste teor e por nos dizerem, como Marcelo: «não era possível ter-se feito mais…»?
Não era possível ter-se feito mais? Como assim, Sr. Presidente, o SIRESP não
deveria funcionar eficazmente para permitir uma coordenação das forças no
terreno que evitasse uma tragédia destas dimensões?
Era conveniente uma explicaçãozinha,
Sr. Ministro da Administração Interna, perdão, Sr. Primeiro-Ministro…
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