«Ao fim de uma
semana, tivemos desculpas do líder da oposição por um comentário, mas nem uma
palavra de contrição do governo pelo descontrole que matou 64 pessoas e deixou
mais de 200 feridas». Rui Ramos, jornal «Observador»,
27/06/2017.
«Muito
embora seja honesto, não é aconselhável trazer más notícias». Shakespeare.
Li em toda a imprensa, não houve um único jornal que
não tivesse dito que Passos tinha dado um tiro no pé! Eu acho que o tiro antes
de atingir o pé atingiu o joelho… mas o que é mais extraordinário foi o
Governo, o PS e todos aqueles jornalistas da treta que apoiam o Governo, agarrarem-se
às declarações de Passos como um náufrago se agarra a uma bóia de salvação…
Compreende-se, o Governo estava completamente debaixo
de fogo, isolado e sem ajuda – tirando a de Marcelo, já compulsiva no apoio à
Geringonça, no primeiro momento, a desculpá-lo dizendo que se fez o máximo que
podia ser feito – de ninguém pois parece que não há maneira de desculpar a
desorganização, a falha generalizada, o caos absoluto e os lapsos gravíssimos
de comunicações que impediram resgatar pessoas isoladas e que ficaram indefesas
à mercê do fogo, quando não direccionadas para o próprio caldeirão. Não há forma
de desculpar a responsabilidade do Governo e das instituições que agem às suas
ordens num dos fogos que maior número de vítimas causou no mundo! Leram bem, no
mundo!
A «gafe» de Passos – que esteve contido num primeiro
tempo e que não se aproveitou da tragédia como toda a esquerda sempre faz
quando o Governo é de direita e há fogos –
propiciava uma boa saída, quer dizer, uma boa mistificação da realidade.
Havia que centrar todo o fogo sobre Passos para assim obter uma trégua na
fustigação do Governo e dos resultados catastróficos para a sua imagem que as
más notícias da tragédia estavam a causar…
O que interessava era (é) dar a ilusão de que Costa e
a sua «entourage» fizeram o máximo que podia ser feito e esconder, camuflar e
disfarçar o melhor possível, o escândalo da sua incompetência grosseira e o
resultado catastrófico para alguns cidadãos indefesos que confiavam no Estado e
nas suas instituições e que pagaram essa confiança com a própria vida. Isto é
absolutamente intolerável e diz bem da «qualidade» do Governo que nos calhou em
sorte por usurpação de regras sãs, cristalinas e apanágio da democracia séria: informar
prévia e claramente os co-cidadãos das nossas intenções politicas; tudo o que
Costa não fez…
Já assistimos a uma tentativa de controlo da
comunicação social no tempo de Sócrates, o silenciamento de Manuela Mora Guedes
e do seu «Jornal Nacional», lembram-se da compra da TVI? Houve um juiz de
Aveiro que classificou essa tentativa de Sócrates como um atentado ao Estado de
Direito! Pois é, agora é diferente, não é preciso comprar nenhum órgão de
comunicação social, basta espalhar por lá os «boys», perdão, os «boys» a que
chamam enfáticamente jornalistas, e os comentadores pelas televisões, que eles
encarregam-se do resto, como vimos com o episódio Passos Coelho…
Quando penso no jornal «República», afecto
ideológicamente ao PS e um jornal sério, tomado de assalto pelos comunistas e
pelos seus «compagnons de route» após o 25 de Abril, pergunto-me se este PS que usa estas tácticas
e estas manobras vis, reles e anti-democráticas, é o mesmo PS que lutou com
denodo e corajosamente contra o golpismo e a voragem totalitária do PCP?
Não é, se alguém tivesse dúvidas, a prova irrefutável aí
está para o comprovar cabalmente; a própria Geringonça…
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