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«Muito embora seja honesto, não é aconselhável trazer más notícias». Shakespeare. 

Li em toda a imprensa, não houve um único jornal que não tivesse dito que Passos tinha dado um tiro no pé! Eu acho que o tiro antes de atingir o pé atingiu o joelho… mas o que é mais extraordinário foi o Governo, o PS e todos aqueles jornalistas da treta que apoiam o Governo, agarrarem-se às declarações de Passos como um náufrago se agarra a uma bóia de salvação… 

Compreende-se, o Governo estava completamente debaixo de fogo, isolado e sem ajuda – tirando a de Marcelo, já compulsiva no apoio à Geringonça, no primeiro momento, a desculpá-lo dizendo que se fez o máximo que podia ser feito – de ninguém pois parece que não há maneira de desculpar a desorganização, a falha generalizada, o caos absoluto e os lapsos gravíssimos de comunicações que impediram resgatar pessoas isoladas e que ficaram indefesas à mercê do fogo, quando não direccionadas para o próprio caldeirão. Não há forma de desculpar a responsabilidade do Governo e das instituições que agem às suas ordens num dos fogos que maior número de vítimas causou no mundo! Leram bem, no mundo!
 
A «gafe» de Passos – que esteve contido num primeiro tempo e que não se aproveitou da tragédia como toda a esquerda sempre faz quando o Governo é de direita e há fogos –  propiciava uma boa saída, quer dizer, uma boa mistificação da realidade. Havia que centrar todo o fogo sobre Passos para assim obter uma trégua na fustigação do Governo e dos resultados catastróficos para a sua imagem que as más notícias da tragédia estavam a causar… 

O que interessava era (é) dar a ilusão de que Costa e a sua «entourage» fizeram o máximo que podia ser feito e esconder, camuflar e disfarçar o melhor possível, o escândalo da sua incompetência grosseira e o resultado catastrófico para alguns cidadãos indefesos que confiavam no Estado e nas suas instituições e que pagaram essa confiança com a própria vida. Isto é absolutamente intolerável e diz bem da «qualidade» do Governo que nos calhou em sorte por usurpação de regras sãs, cristalinas e apanágio da democracia séria: informar prévia e claramente os co-cidadãos das nossas intenções politicas; tudo o que Costa não fez… 

Já assistimos a uma tentativa de controlo da comunicação social no tempo de Sócrates, o silenciamento de Manuela Mora Guedes e do seu «Jornal Nacional», lembram-se da compra da TVI? Houve um juiz de Aveiro que classificou essa tentativa de Sócrates como um atentado ao Estado de Direito! Pois é, agora é diferente, não é preciso comprar nenhum órgão de comunicação social, basta espalhar por lá os «boys», perdão, os «boys» a que chamam enfáticamente jornalistas, e os comentadores pelas televisões, que eles encarregam-se do resto, como vimos com o episódio Passos Coelho… 

Quando penso no jornal «República», afecto ideológicamente ao PS e um jornal sério, tomado de assalto pelos comunistas e pelos seus «compagnons de route» após o 25 de Abril,  pergunto-me se este PS que usa estas tácticas e estas manobras vis, reles e anti-democráticas, é o mesmo PS que lutou com denodo e corajosamente contra o golpismo e a voragem  totalitária do PCP?
 
Não é, se alguém tivesse dúvidas, a prova irrefutável aí está para o comprovar cabalmente; a própria Geringonça…

 

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