«O tempo revela a
verdade». Séneca.
«Portugal não está numa situação em que possa fazer uma reestruturação
da dívida ou que esteja em cima da mesa uma redução da dívida. Terão que viver
com uma dívida de 130% do PIB. Não vão receber o cheque do resto da Europa». Olivier
Blanchard, ex-economista chefe do FMI, jornal «Expresso», 20/05/2017.
O Senhor Olivier Blanchard sabe
do que fala, foi ele que na sua qualidade de economista chefe do FMI negociou e
nos emprestou a tranche do FMI – 23 mil milhões de euros – conjuntamente com a Comissão
Europeia e o BCE, quando Sócrates atirou o país para uma ignóbil bancarrota e chamou
a Troika para fazer o favor de nos emprestar o vil metal e nos resgatar…
Mas o mais extraordinário no meio
disto tudo é o papel – nesta negação convicta de qualquer hipótese de
reestruturação da dívida enquanto «hair cut» – das oposições, particularmente PS e BE, que
andaram durante os 4 anos de vida do Governo anterior, a clamar exactamente o
contrário e a jurar que a mesma era necessária e exequível. Neste caso não sei
se é o tempo que revela sempre a verdade, como diz Séneca, se é a realidade a impor-se
e a revelar-se, se os dois juntos…
Curioso é que até houve um membro
do actual Governo, Pedro Nuno Santos, que se saiu com uma tirada num comício
nos seguintes termos, que só reforça o que digo em supra:
«Estou a marimbar-me que nos chamem irresponsáveis. Temos uma
bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Essa bomba
atómica é simplesmente não pagamos. Ou os senhores se põem finos ou não pagamos
[…] que se não pagarmos a dívida, e se
lhes dissermos, as pernas dos banqueiros alemães até tremem».
A sério, «sans blague»?
É que esta dívida
contraída em condições absolutamente irresponsáveis, com os juros baixos como
felizmente estão neste momento, custa-nos, mesmo assim, qualquer coisa como
oito mil milhões de euros por ano só em juros. Uma brutalidade! Os contraentes
da mesma, como José Sócrates, por exemplo, deviam ter pensado nisso na altura…
Acontece que agora, o Governo de
António Costa nem quer ouvir falar nisso… mudam-se os tempos, mantêm-se os
protagonistas mas mudam-se as vontades, e a dívida também muda: aumenta
sempre...
30/05/2017
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